Publicado por: Marcos Damigo | 21/05/2012

A Volta ao Lar

A potência de um clássico

Para quem não conhece, A Volta ao Lar de Harold Pinter é um clássico da dramaturgia mundial. Vencedor do Tony, o principal prêmio de teatro americano, causou um grande impacto na sua estreia em 1967 em Nova York.

A trama gira em torno de conflitos familiares e é repleta de suspenses e entrelinhas, bem ao estilo pinteriano. Ao espectador cabe a tarefa de decifrar as motivações que impulsionam o estranho desenrolar dos fatos.

A história nos apresenta uma família composta somente por homens e chefiada por Max (Tonico Pereira), um ex-açougueiro, que mora com o irmão Sam (Jaime Leibovitch) e dois filhos, Lenny (Bruce Gomlewski, que também assina a direção e a idealização da montagem) e Joey (Sergio Guizé). O ambiente é extremamente masculino e agressivo, evidenciando a ausência de um elemento feminino que os equilibre. A chegada do terceiro filho de Max, Teddy (Gustavo Damasceno), com sua mulher Ruth (Arieta Correa) é o que desencadeia toda a trama. Mantendo as forças que operam naquelas relações num nível subliminar, Pinter desenvolve a história para um surpreendente desenlace.

Se por um lado é natural que hoje em dia o impacto do texto seja bastante amortizado por conta das transformações em nossa sociedade, por outro ele ainda possui força para mobilizar nossos sentidos e reflexões, pelas tensões que cria entre o desejo e a moral.

A montagem em cartaz no Centro Cultural dos Correios optou pela tradução de Millôr Fernandes, feita especialmente para a primeira vez em que a peça foi montada no Brasil, com Fernanda Montenegro, Sergio Britto e Ziembinski no elenco, ainda no final dos anos sessenta.

Seu principal mérito é trazer ao público carioca um texto consagrado, realizado por um ótimo elenco, numa encenação que busca servir a ambos, texto e atores. Se há um risco de parecer que a obra talvez tenha perdido seu vigor pela maneira como as questões ali presentes são abordadas, seu maior desafio é trazer à luz a potência latente nas relações entre aqueles personagens, em toda sua complexidade e força. Um desafio que deve, como em qualquer bom teatro, ser vencido a cada espetáculo.

TEMPORADA: até 24 de junho

LOCAL: Centro Cultural Correios – R. Visconde de Itaboraí, 20 – Centro / RJ Tel: 21 2253.1580

HORÁRIOS: 5ª a domingo, às 19h

INGRESSOS: R$20,00 e R$10,00 (meia entrada)

– vendas no local, de 4ª a domingo das 15h às 19h

CAPACIDADE: 200 espectadores

DURAÇÃO: 100 minutos CLASSIFICAÇÃO ETÁRIA: 16 anos

Ficha Técnica

Texto: Harold Pinter

Tradução: Millôr Fernandes

Direção: Bruce Gomlevsky

Assistência de Direção: Glauce Guima

Elenco / Personagem

Tonico Pereira (ator alugado) / Max

Arieta Corrêa / Ruth

Bruce Gomlevsky / Lenny

Jaime Leibovitch / Sam

Sérgio Guizé / Joey

Gustavo Damasceno / Teddy

Iluminação: Luiz Paulo Nenen

Cenografia: Bel Lobo

Figurino: Rita Murtinho

Design Gráfico: Redondo Design

Patrocínio: Correios

Direção de Produção: Carlos Grun

Uma produção Bruce Gomlevsky BG Artentretenimento Ltda

Realização: Cia Teatro Esplendor

Assessoria de Imprensa: JSPontes Comunicação – João Pontes e Stella Stephany

Crédito da foto: Guga Melgar

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Responses

  1. Mazolha!! Belo texto, heim!

  2. legal…..

  3. Ahahaha!! Vindo de você o elogio é ainda maior. Gracias!!


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