Publicado por: Marcos Damigo | 08/04/2012

Teatro

Nessa última semana assisti a nove espetáculos. Só no dia 31 de março foram cinco. Explico: estava no Festival de Curitiba com Deus é um DJ dias 29 e 30, e fui embora dia 01 de abril, então quis aproveitar ao máximo! E passei essa semana em São Paulo, então quis ver o maior número de espetáculos possível. Fora os que assisti no Rio antes de ir a Curitiba, também na urgência de saber que não estariam mais em cartaz quando voltasse pra casa.

Adoraria falar de cada peça que me encantou nesses últimos tempos. Compartilhar desse amor que recebi ao ver os espetáculos com quem tiver paciência de ler isso aqui. Porque teatro só se faz com amor. Ele é cruel com quem tenta enganá-lo. Mas não vou conseguir. Então falo no geral, ampliando essa vontade de compartilhar pra todo o teatro brasileiro. Porque tive a sorte de ver peças de vários estados e cidades do Brasil.

Estou mesmo num momento de paixão incondicional pelo teatro. Já tive meus momentos de nem querer saber, mas agora não: digo que estou facinho, tudo me faz viajar, tudo me dá um imenso prazer, ou me enche de questões!

O teatro é o mangue da nossa sociedade: é nele que se engrossa o caldo da nossa identidade, na diversidade de estilos e propostas dessa gama infinita de espetáculos que cabem dentro dessa única palavra: teatro.

Há, sim, que se dar a devida importância e reconhecimento ao trabalho dessas criaturas loucas, belas e fragilmente vaidosas que são os artistas de teatro. Eles precisam comer, pagar suas contas e viver com dignidade. Precisam sim de mecanismos públicos de subvenção de seus trabalhos. Precisam que suas obras sejam assistidas pelo maior número de pessoas possível.

Porque o teatro é a grande arma contra a ignorância, através dos mestres do passado e do presente que vasculham a alma humana e nos ajudam a entender melhor nossas virtudes e fraquezas, enfim, nossa humanidade. Humanidade é o nosso material de trabalho. Porque o teatro é o espaço onde aprendemos a nos colocar no lugar do outro. Simples assim. E poderoso assim, principalmente nesses tempos de individualismo e intolerância. E só por essa razão, toda e qualquer pessoa no mundo deveria fazer um pouco de teatro.

Que os Deuses, assim mesmo no pluralismo de possibilidades que essa palavra contempla, abençoem e protejam essa gente toda. E que a sociedade enxergue o seu valor, como enxerga o do médico, do operário e do cientista.

E a mais profunda gratidão a todos os atores, diretores, dramaturgos, cenógrafos, iluminadores, figurinistas, produtores, assistentes, e quem mais estiver envolvido na confecção de todos os espetáculos de teatro!

EVOÉ a todos vocês!

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Responses

  1. Marcos, faz só uma listinha com as peças que vc mais gostou, nem precisa ser uma crítica mesmo.

  2. Oi Malu, com prazer!

    A Primeira Vista – do Rio de Janeiro
    Quintal – de Belo Horizonte
    A Pereira de Tia Miséria – de Londrina
    O Homem da Camisa Branca – de São Paulo
    O Grande Espírito da Intimidade – de São Paulo
    Ifigência – de São Paulo
    Pessoas Absurdas – de São Paulo
    Quebra Ossos – do Rio de Janeiro

    Beijo!!

  3. Engraçado isto que você fala pois, se não me engano, Schopenhauer, tem uma frase mais ou menos assim: “Não ir ao teatro é como fazer a toalete sem olhar no espelho”. Isto me perseguiu por um tempo até cair a ficha de que é realmente possível passar a vida inteira sem ir ao teatro; é possível viver a vida inteira na caverna de Platão, pensando que as sombras projetadas são a realidade. Mas como é delirante sair da caverna e ver além. Sair desse nosso mundinho próprio e ver “nossa humanidade” como você diz.

    E o mais importante foi perceber que nosso trabalho possibilita esse “revelar” esta humanidade para outras pessoas (sem nenhuma questão de valor, de ser mais ou menos por isto) e, além disso, a possibilidade de nos tornarmos pessoas melhores pelo nosso esforço de compreender e defender a alma de um personagem que possui outra “realidade”, outros interesses, outra vida.

    Uma vez ouvi uma atriz dizer que era atriz por achar a vida muito pequena e desinteressante. Por isto ela se refugiava em personagens. Eu já penso o contrário: é por achar a vida MUITO interessante, cheia de possibilidades, que quero “apreender” todas. E com isto a gente se transforma, entende o outro e respeita o outro.

    E faço somente uma retificação no seu texto:

    EVOÉ a todos NÓS!

  4. Sucesso na nova estréia de “deus é um Dj”. Talvez por isso o blog esteja meio parado… uma pena! Mesmo não sendo “de teatro”, posto ser apenas platéia, me encantam suas análises cheias de paixão e “implicação” com o fazer teatral. Pra mim faz uma enorme diferença, em todos os campos da vida, ter o privilégio de compartilhar as vivências de pessoas comprometidas, sérias e generosas como vc.

    Fui ver Rebeldes – sobre a raiva e achei um espetáculo muito lindo. Tem sido raro ver um elenco com muitos atores, principalmente com diferentes gerações em uma interpretação tão integrada como nesta peça.


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