Publicado por: Marcos Damigo | 16/03/2012

O simples tem poder

A Primeira Vista

Estreou ontem, no Teatro Poeira em Botafogo, Rio de Janeiro, o novo espetáculo dirigido por Enrique Diaz, do mesmo autor de In On It, Daniel Mc Ivor, que lhe rendeu o prêmio Shell de direção em 2010.

Confesso que estava um pouco ansioso para conferir outro texto deste autor que havia me arrebatado em In On It. Já havia visto algumas fotos do espetáculo na internet, e alguns videozinhos bem singelos que a equipe preparou, e fui para o teatro com medo de que uma expectativa excessiva pudesse me frustrar.

Pois bem…

Em cena, muitos elementos similares à outra peça: dois intérpretes, poucos elementos, um texto fragmentado que vai montando aos poucos a história, como um quebra-cabeça, e principalmente a abordagem delicada que o autor consegue fazer de temas difíceis, como amor, desejo, medo e morte.

Mas sob outro viés: o da relação entre duas mulheres que se encontram em vários momentos da vida, sem que nunca nenhuma das duas seja capaz de definir com precisão o sentimento que as une. E será que isso – definir – é necessário?

Saí de lá impregnado de questões sobre a existência. E a sensação de que há muitas maneiras de ser feliz, e de que não é possível ser completamente feliz. E existe também maneiras de ser, não sendo. E de não ser, sendo.

Abstrato demais, talvez? Então vá assistir. De brinde você ganha o belo trabalho de duas atrizes em momentos únicos de suas carreiras.

A PRIMEIRA VISTA

De Daniel MacIvor

Direção: Enrique Diaz

Com Drica Moraes e Mariana Lima

Cenografia: Marcos Chaves

Figurinos: Antônio Medeiros

Iluminação: Maneco Quinderé

Música: Fabiano Krieger e Lucas Marcier

Tradução: Daniele Ávila

Preparação Corporal: Cristina Moura

Técnica de Alexander: Valéria Campos

Assistência de Direção: Keli Freitas

Projeto Gráfico: Radiográfico

Campanha Internet: Renata Valois e Rafael Medeiros

Assistente de Figurino: Vitor Saraiva

Assistente de Produção: Ailime Cortat

Produção Executiva: Nil Caniné

Direção de Produção: Sérgio Martins

Realização: Machenka Produções Artísticas

Produção: Enrique Diaz, Mariana Lima e Drica Moraes

Serviço:

De 15 de março a 17 de junho

Quintas, Sextas e sábados, às 21h. Domingos, às 19h.

Ingressos a R$ 50 (qui/sex), R$ 70 (sáb) e R$ 60 (dom).

 

Teatro Poeira

Rua São João Batista, 104 – Botafogo

Tel: 2537-8053

Vendas pela internet: http://www.ingresso.com.br

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Responses

  1. Sounds good

  2. Caríssimo:
    Sigo vc no Twitter já faz algum tempo. Interessei-me pelo seu trabalho desde quando assisti a reprise de ‘Fascinação’ no SBT, alguns videos de ‘Insensato Coração’ e uma entrevista sua com a Regina Volpato, onde, em dado momento, e não sei ainda explicar explicar por que, parecia que eu estava fazendo aquelas declarações. Fascinei-me com sua espontaneidade, sinceridade, humildade… essas coisas.
    Quanto a emitir pareceres sobre espétaculos teatrais, não tenho condições de fazê-lo, dada minha quase completa ignorância no assunto, principalmente por estar eu confinado a um vilarejo do interior de Minas (município de Manhuaçu), onde a palavra teatro apenas me faz lembrar dos livros de História Geral, principalmente das obras gregas. Sinto muito!

  3. Oi José,

    É uma pena que não se faça mais teatro por esse país, é uma ferramenta incrível de sociabilização, de se colocar no lugar do outro e ampliar horizontes! Porque você não começa alguma coisa assim por aí?

    Abraço!!

  4. Olá! Confio (um pouco) em ti, cara… Por isso tomo coragem para exercitar uma leitura. Primeiro, tentarei recuperar o texto; depois, detectar o que quiseste dizer e com que intenções. por fim, verei se consigo me posicionar diante das idéias do texto apresentado. Minha memória de curto termo está desfalcada. E esse texto, por ser curto, imagino que pode ser um ponto de partida…

    Damigo posta em seu blog, um comentário sobre a peça teatral “A Primeira Vista” que assistiu em um teatro no Rio de Janeiro (Teatro Poeira, parece ser esse o nome). A peça dirigida por Enrique, cujo autor Daniel (não lembro dos sobrenomes) apresenta, em cenário simples, a relação de duas mulheres que se encontram e se reencontram várias vezes, vivendo constantes mutações nesse período. O comentarista diz que não fica claro o tipo de sentimento que une essas mullheres. Expõe, ainda que o texto aborda os temas: desejo, amor, morte e medo. Também expõe sua ansiedade e receio de frustar-se que teve antes de conferir o espetáculo. Sensações que foram substituídas por reflexões sobre a existência e a felicidade (com suas possibidades de ser vivida). Expressa admiração ao talento das duas atrizes que vivem as personagens e incentiva o leitor a conhecer essa obra.

    Ao expor seu comentário, o autor mantém um olhar respeitoso ao trabalho do outro, preferindo destacar o que viu de melhor na produção. Tenta cooperar com a formação do leitor/espectador, chamando atenção para a essência do texto e para questões que não precisam ser definidas, necessariamente.

    Damigo mostra, ainda, o efeito provocativo da divulgação no espectador. É essa divulgação que o mobiliza até o teatro. Mas é seu conhecimento prévio (tanto do trabalho dos envolvidos, quanto do próprio universo das artes cêncas), que lhe proporciona uma leitura (mais ampla) que a maioria dos que também vão assistir não conseguem fazer.

    Suas exposições contribuem, sim, para formar um leitor/espectador mais maduro, mais receptivo, mais envolvido. Ao convidar o leitor a conhecer o espetáculo, Damigo, talvez sem querer, denuncia a ausência de uma divulgação sistemática e ampla que ancore as produções artísticas locais.

  5. PS.: Para meus comentários foquei no texto escrito e esqueci de olhar o vídeo.
    Auri

  6. Sobre ser e não ser, a questão pra mim é a seguinte: se é apenas uma parte daquilo que nada também é. E é nesse minúsculo rasgo de originalidade que a peça corta o coração da gente e nos faz estar junto delas, contemplando as cachoeiras, a vista, as montanhas ao som do ukelelê. saudades da peça agora depois de ter. coimaiboua.


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