Publicado por: Marcos Damigo | 31/03/2009

A Conferência dos Pássaros

Brecha Coletivo e a Hora do Planeta

A noite de 28 de março ficou marcada pela Hora do Planeta, um movimento mundial que propõe apagarmos as luzes por uma hora, como ato simbólico de conscientização pelos perigos do aquecimento global.

O movimento começou na Austrália em 2007, ganhou o mundo e chegou ao Brasil em 2009, com a adesão do governo e de entidades como Sesc e times de futebol. Até estrelas de televisão contribuíram de bom grado com a campanha publicitária.

Eu tenho uma relação especial com o escuro, independente dele ter sido transformado numa causa planetária. Desde que estive na Índia, em 2003, penso como seria saudável se tivéssemos o hábito de desligar os equipamentos elétricos de vez em quando. Estive lá numa época em que a seca afetou gravemente o abastecimento de energia elétrica, e todas as noites a cidade ficava sem luz por mais ou menos uma hora. Mas, como o horário nunca era o mesmo, o apagão sempre nos pegava de surpresa! Isso nos obrigava a parar tudo que estávamos fazendo – que afinal nunca era muita coisa mesmo, mas do vazio sempre surgiam conversas, descobertas e alguma serenidade.

Mas o que isso tem a ver com teatro? Bom, este ato mundial, apesar de ter passado um pouco desapercebido pela população em geral aqui no Brasil, gerou algumas situações interessantes. E uma delas, que eu presenciei, foi a performance do Brecha Coletivo, inspirado no conto sufi A Conferência dos Pássaros, de Farid Ud-Din Attar.

O conto, adaptado por Jean-Claude Carrière, serviu de inspiração para Peter Brook montar um espetáculo e viajar pela África nos anos setenta. Nessa viagem, ele desenvolveu seu estilo de encenar as peças sobre um tapete, tornando-se quase uma assinatura de seus espetáculos.

Aqui no Rio de Janeiro, Daniela Visco usou a adaptação de Carrière para montar um espetáculo com uma turma de atores recém-formados. Entre idas e vindas, e com a promessa de estrear uma nova versão da peça no segundo semestre, eles têm se apresentado esporadicamente num formato compacto, onde a percussionista Lan Lan comanda a trupe numa roda com cajóns (instrumentos percussivos afro-peruanos) e outros sons. A mesma performance aconteceu no Riocenacontemporânea de 2006.

E lá estávamos dia 28, em roda, no Sesc Copacabana, ao som dos potentes cajóns, conectados com milhões de pessoas ao redor do mundo em prol da solução de problemas tão complexos. Pelo pouco que eles mostraram, dá vontade de ver mais: os atores profundamente concentrados, sem nenhum recurso a mais, apenas vestindo jeans e camiseta, evocavam ali a conferência que os pássaros criam justamente para tentar resolver seus problemas. O assunto, no mínimo, já se provou pertinente.


Ficha técnica:

Elenco | Lan Lan, Adriany Mendonça, Alexandre Mendonça, Julia Lund, Fernando Dande, Leonardo Miranda, Mariana Baltar, Patrick Sampaio, Pierre Baitelli e Maria Joana Chiappetta.

Projeto de Luz | Roberto Macedo.

Assistência de direção e direção de produção | Patrick Sampaio

Direção musical | Lan Lan

Concepção e Direção geral | Daniela Visco.

Realização | Brecha Coletivo e Daniela Visco.

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Responses

  1. Bacana encontrar este espaço.

    Abração.

  2. cOnferencia dos pássaros , gostinho de queremos mais .
    vai rolar …
    Bj,

  3. Rafael, seja bem vindo!

    Lan Lan, queremos mesmo!

  4. Olá,

    estou reativando meu blog sobre cinema: (www.christianjafas.wordpress.com) o Imagem em Movimento.

    Fiquei uns anos sem escrever, mas agora estou voltando.

    um abraço,

    Christian


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