O “chic” era o teatro
O teatro feito há cem anos era bem diferente do que é hoje. Antes da difusão do cinema falado, da televisão e mais recentemente da internet, o teatro era um dos grandes centros em torno do qual se agitava a vida social de uma cidade como o Rio de Janeiro. Prova disso é que se faziam espetáculos todos os dias da semana, com duas ou até três sessões nos dias mais concorridos! Com uma grande rotatividade de peças em seu repertório e a necessidade de sobreviver unicamente da bilheteria (nessa época também não havia patrocínios nem leis de incentivo), a necessidade de se montar uma peça em uma semana, com ensaios de dia e apresentações à noite e sem nem um dia de descanso, acabou sedimentando um estilo de teatro, onde os atores contavam com a ajuda de um ponto, por exemplo, que assoprava as falas baixinho.
Esse é o tema do espetáculo que está em cartaz na Casa de Cultura Laura Alvim em Ipanema, no Rio. O texto de Anamaria Nunes, premiado na sua primeira montagem em 1988, narra as peripécias de uma companhia teatral dos anos 20 para montar um espetáculo, às voltas com dificuldades de toda ordem, como o empresário que só pensa no lucro, os ataques e privilégios das estrelas da companhia e atores amadores lutando por um espaço no teatro profissional. O resultado, além de uma aula de história, é uma comédia onde o público se acaba de rir das confusões e trapalhadas dessa gente que foi e é tão apaixonada pelo que faz (posso dizer isso com propriedade, pois sou um dos atores da peça).
O interessante é que tudo o que está no texto realmente aconteceu na época em que o Teatro Trianon, que dá nome à peça, viveu o auge de seu sucesso. O texto foi escrito em colaboração com a pesquisa do grupo de atores que participou da montagem original, numa versão que é sempre lembrada com muito carinho por quem assistiu. A própria produtora do espetáculo, a também atriz Marta Paret, perdeu a conta de quantas vezes assistiu a essa comédia. A prova de que o que se faz com amor já tem uma boa parte de sucesso garantido!
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